Tão mais bonita, de Cara Hoffman

Título: Tão Mais Bonita
Autor (a): Cara Hoffman
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Ano de lançamento: 2012
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Sinopse: Os Piper são uma família otimista. Claire e Gene se mudaram, com sua precoce e encantadora filha Alice para Haeden, no estado de Nova York, em busca de um novo começo. Ao fazer isso, involuntariamente reescreviam a história da vida da menina.
Wendy White tem raízes profundas em Haeden. Wendy é uma mulher doce, preocupada com a família e com a casa. Sua história tem um começo e um fim, mas a principal parte, o meio, se perdeu. O que aconteceu com Wendy White?
Stacy Flynn é uma repórter, e também uma caçadora e contadora de histórias. É a corajosa, incansável e perigosamente imprudente Flynn que vai reconstruir a vida de White, organizando todos os fragmentos eu achar e montando um caminho para encontrar a solução do caso.
Mas apenas nós sabemos a história inteira.

          

“Wendy White me contou uma história por meio do seu corpo, uma história que eu já sabia. Uma que, até aquele momento, eu fora incapaz de retransmitir. E escrevi tudo. Contei-a a Alice. “ pág. 53

Tão mais bonita é um livro confuso e misterioso. Em sua estreia Cara Hoffman bagunçou totalmente a minha cabeça. Quando li a sinopse do livro pensei que iria ser uma boa e fácil leitura, mas me enganei. A história é intrigante e traz uma boa dose de mistério.

Claire e Gene são os excêntricos pais de Alice Piper. Médicos envolvidos em causas sociais, que preocupados com a criação da filha resolvem se mudar para a pequena cidade de Haeden no interior do estado de Nova York. Uma pacata cidade agrícola, onde as pessoas não são muito abertas a forasteiros e o modo de vida naturalista dos Piper.
Alice por sua vez, é o exemplo de boa filha, bonita, inteligente, atlética, astuta, precoce para sua idade, com boas notas, muitos amigos e uma líder nata. Ela encanta a todos com seu jeito peculiar.

Stacy Flynn é uma jornalista premiada que tem a missão de ir para Haeden e descobrir o que realmente aconteceu com Wendy White, uma moradora local que simplesmente sumiu. Flynn é determinada e não se deixa intimidar com a falta de receptividade dos moradores. Inconformada com a falta de estrutura e comprometimento da polícia local, Flynn parte em busca de provas e depoimentos para desvendar o que aconteceu com White.

Bom, apresentados os personagens vamos falar sobre o desenrolar da história.  O livro começa com uma intrigante descrição de uma mulher que pode ser provavelmente loira, morena ou ruiva, de cabelos longos ou curtos, de olhos claros ou escuros, que pode estar viajando acompanhada ou sozinha, utilizando transporte público, pedindo carona ou apenas andando, que pode estar disfarçada de garçonete, operária, secretária ou estudante... enfim só se sabe ao certo que é uma mulher!

Alternando os pontos entre personagens a história vai contando um pouco da história de Wendy, uma garçonete local que some depois de um dia de trabalho, a infância de Alice Piper após se mudar com a família para Haeden, e as tentativas de Stacy Flynn de desvendar o mistério do sumiço de Wendy.

“ Eu sabia que ela estava na cidade. Eu sabia que ela estava na cidade. Ela estava na cidade. Ela não tinha sumido. “ Pág. 179

Cara Hoffman não se contentou em alternar a narrativa apenas entre os personagens, como também optou por mexer na cronologia dos acontecimentos, alternando a história também entre passado e presente. Isso me confundiu um pouco, mas persisti na leitura e não me arrependi. Hoffman criou personagens complexos e marcantes - será difícil esquecer Alice Piper. Durante o enredo vemos o amadurecimento de uma garotinha protegida pelos pais, absorver de uma hora para a outra a maldade que existe nas pessoas. Uma garçonete ser punida por sua beleza, e como uma jornalista não apenas escreveu a história, mas como se tornou parte dela.

“Durante aquele minuto de silêncio, tive vontade de berrar a plenos pulmões. Queria derrubar a merda da minha carteira e quebrar todas as janelas daquela sala de aula. Mas é claro que fiquei ali sentada e não disse nada. ” pág. 196

Depois que me acostumei com a organização da história consegui me envolver na leitura, e confesso que amei. Espero que a autora nos presentei com mais obras arrebatadoras como essa!

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